Um ex-cientista do governo norte-americano acusado de tentar vender segredos tecnológicos para
Israel admitiu ser culpado de um caso de tentativa de espionagem.
Stewart Nozette deverá cumprir uma sentença de 13 anos de prisão depois de fazer um acordo de confissão com os promotores.
Ele está na cadeia desde que foi detido, em 2009, depois de uma
operação na qual um agente do FBI (polícia federal americana) se fez
passar por uma autoridade da inteligência israelense.
Nozette, 54 anos, foi acusado de tentar obter milhões de dólares para entregar dados secretos.
Ele poderia ter sido condenado à morte caso tivesse sido considerado
culpado de todas as quatro acusações de tentativa de espionagem que teve
contra si.
O Departamento de Justiça americano afirma que nenhuma das acusações
significa que as leis americanas foram violadas pelo governo de Israel
ou por pessoas que o representassem.
"Escolha de carreira"
Durante as várias décadas em que trabalhou para o governo americano,
Nozette teve acesso a setores de alto nível de segurança, inclusive na
Nasa, a agência espacial dos EUA, no Conselho Nacional do Espaço e no
Departamento de Energia.
Vestindo um macacão de prisioneiro, ele compareceu à Justiça nessa
quarta-feira, dizendo ao juiz que compreendia a acusação da qual ele se
declarava culpado.
Nozette disse ao agente do FBI, que se fez passar por integrante do
Mossad, o serviço secreto de Israel, que os segredos que estava
oferecendo haviam custado ao governo americano algo entre US$ 200
milhões e US$ 1 bilhão para desenvolver.
De acordo com os registros do processo, Nozette se encontrou com o
agente disfarçado em um hotel de Washington, em outubro de 2009.
"Eu cheguei a um ponto sem volta (...), eu fiz uma opção de carreira", teria dito o cientista ao agente.
"Estou preparado para dar a eles a coisa toda, todas as especificações técnicas", teria afirmado Nozette.
Mísseis nucleares
O conhecimento do ex-cientista do governo supostamente diz respeito ao programa de mísseis nucleares dos EUA.
De sua casa, no subúrbio de Washington, Nozette comandava a Aliança
para Tecnologia Competitiva, uma organização sem fins lucrativos com
acordos para desenvolver tecnologias para o governo americano.
Promotores dizem que o cientista concordou em dar informações regulares
ao Mossad por meio de uma caixa postal do correio, em troca de
dinheiro.
Ele supostamente pediu um passaporte israelense e aceitou dois pagamentos, ambos inferiores a US$ 10 mil.
Em troca do dinheiro, Nozette supostamente concordou em divulgar
informações sobre satélites americanos, sistemas de alerta e controle e
elementos importantes de defesa estratégica.
"Stewart Nozette traiu a confiança dos EUA ao tentar vender alguns dos
seus segredos mais bem guardados por lucro", disse à agência Reuters a
vice-secretária de Justiça a cargo de segurança nacional, Lisa Monaco.
O secretário de Justiça americano, Eric Holder, ordenou restrições
especiais de comunicação para Nozette enquanto ele estiver preso.
O juiz distrital Paul Friedman disse que está preparado para aceitar a
declaração de culpa, desde que Nozette coopere com os promotores. Ele
marcou a próxima audiência do caso para 15 de novembro.